terça-feira, 19 de julho de 2011

Rosa e Cinzento

Depois de um dia inteiro a esvoaçar por aí a fora... Uff que estou cansadita! Uff que ainda não parei dois segundinhos que seja... Humm afinal parei. Parei para vir aqui... Contar-vos a história de uma menininha com sonhos do tamanho do mundo e uma imaginação universal!
De saia às pregas, dois rabos de cavalo e meias pelos joelhos... Esta menina adorava andar a saltitar e a brincar com os seus amiguinhos... Adorava ir à escola e dizia que quando fosse grande iria salvar o mundo, tocar no coração de alguém e convencer a pessoa mais teimosa a acreditar na vida mais cor-de-rosa que a própria cor. Ela acreditava nas pessoas e nos sentimentos bons... Ela ambicionava mudar os dias maus que vivia na sua casa, acabar com a tristeza da sua mãe e transformar o seu pai, o monstro, num belo príncipe encantado.
Quando os pais gritavam, ela imaginava uma canção... Quando o pai era mais agressivo com a mãe, ela imaginava as provas de amor que ele havia esquecido... Quando a mãe chorava, ela imaginava gargalhadas...
Deixou de usar a saia às pregas, as meias e os rabos de cavalo... Percebeu que vivia num daqueles bairros sociais... percebeu que o rosa afinal era cinzento... percebeu que as bonecas agora eram bebés a sério... Percebeu que tudo o que via na sua casa, acontecia, também, na casa da sua amiga...
O cheiro da mãe deixou de ser perfume francês e passou a ser um forte cheiro a vinho tinto, daqueles que deixa aqueles beiços em cima dos lábios...
O pai passou a ser mais gordinho e a dormir em casa só de vez em quando...
Os gritos dos pais tinham desaparecido porque simplesmente desprezavam-se.... Os irmãos já todos tinham deixado a escola e soprado qualquer sonho para bem longe!
E ela? Ela ia ser mãe pela primeira vez no meio de tanta confusão... de tanta desordem... de tanto caos...
Ela tinha, apenas, 16 anos quando engravidou, deixou de estudar e casou com um jovem igualzinho ao seu papá...
Ela não escreveu história nenhuma... ela, apenas, reproduziu o que viu a vida inteira!
E eu Sininho não consegui encantar mais essa menina sonhadora, porque a realidade veio e a levou.

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